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Home Sweet Home

Este blog é o nosso reflexo. Conheçam as nossas aventuras, os nossos projectos, conheçam-nos a nós.

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  • Galerias Romanas Lisboa

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    Foi este fim-de-semana! Sábado de manhã lá fomos, ainda esperei encontrar um pequenino caos mas surpreendentemente as coisas estavam muito bem organizadas e correu tudo suavemente.

    Chegámos, o código que nos foi dado na altura da marcação identificava para os funcionários o horário da sessão em que iriamos participar, pediram-nos para aguardar e que já chamariam o nosso código... esperamos um bocadinho porque também chegámos mais cedo, mas nada de problemático. 

     

    Na altura em que estava a aguardar a entrada descobri o Núcleo Arqueológico da Rua dos Correeiros (NARC), da fundação Millennium, em que se visita três níveis de subterrâneos, as ruinas romanas mas também a estrutura de pinho verde que sustenta a vidade. Este será sem dúvida o proximo sitio a visitar. 

     

    Mais ou menos à hora agendada lá estavamos a entrar... todos os funcionários foram extremamente agradáveis. O nosso guia foi simpático e explicou-nos muito bem do que se tratavam as galerias, aliás do que até agora se tem uma ideia do que sejam, não quer dizer que daqui a um ano já não sejam algo diferente. 

    Ainda vimos alguns turistas a tentar visitar, não sabiam obviamente que era algo com pré-marcação e esgotadissimo. 

    Gostei? Fiquei desiludida? 

    Bem... vamos por parte, é preciso entender que este é o unico monumento romano completo na zona, que não são ruinas, que é mesmo algo completo. 

    Se tivesse de ter esperado 8horas na fila para visitar as galerias poderia achar que a visita era demasiado curta para a espera. 

    Se era o que eu estava a espera? Eu não sei o que as pessoas que se dizem desiludidas esperam, mas as galerias romanas para mim correspondem bem ao nome, são galerias em pedra. 

    Por isso acho que cada um deve ter a sua opinião, eu gostei e, gostei especialmente do guia e da forma como explicou todo o percurso histórico deste monumento.

     

    Sugestão: galochas de cano alto!!! Eu levei umas pequeninas e fui gozada! mas felizmente levei, mas para quem leva as grandes acredito que a visita se torne ainda mais divertida, isto porque existe uma parte que fica com agua mais ou menos pela altura do meio da canela, que os guias convidam quem tem galochas a percorrer, enquanto os outros dão a volta pela parte seca... é só um corredor mas acho que é divertido andar a chapinhar! 

    Esta zona alagada é a área das nascentes de onde vem a agua que inunda as galerias. Até agora só se tirava esta água uma vez por ano para visitas, a boa noticia é que agora em Abril vão fazê-lo também! Por isso a maltinha que não visitou agora daqui a uns meses tem a oportunidade de o fazer. 

     

    A história: 

    Esta estrutura é considerada um criptopórtico, uma grande plataforma artificial nivelada, sobre a qual terão sido construídos diversos edifícios, como suporte para fazer face à pouca consistência dos solos nesta zona. Actualmente a estrutura que hoje resta teria sido primitivamente um vasto complexo de galerias do qual não se conhece a dimensão total. A construção é datada da época da ocupação romana, durante o governo do imperador Augusto, entre os séculos I a.C. e I d.C.

    As galerias compõem-se de corredores abobadados, paralelos uns aos outros, com cerca de 3 metros de altura e por 2 a 3 metros de largura, as paredes são planas e verticais, com abóbadas em arcos de volta circular.

    Esta estrutura romana, descoberta no subsolo da Baixa de Lisboa, em 1771, na sequência do Terramoto de 1755 e posterior reconstrução da cidade, tem sido objecto, ao longo do tempo, de múltiplas interpretações quanto à sua função original. Actualmente, teses quase unânimes avançam a possibilidade destas galerias romanas terem sido um criptopórtico, solução arquitectónica que criava, em zona de declive e pouca estabilidade geológica, uma plataforma horizontal de suporte à construção de edifícios de grande dimensão, normalmente públicos, como é o caso do Forum da cidade, que teria sido suportado por este criptopórtico. A descoberta de uma inscrição consacratória a Esculápio, Deus da Medicina, em nome de dois sacerdotes do culto imperial e no do Município de Olisipo, gravada numa das faces de um bloco paralelepipédico de calcário e datada do séc. I a.C., actualmente no Museu Nacional de Arqueologia, poderá ser uma confirmação do carácter público deste edifício. No início do séc. XX, estas galerias ficaram conhecidas como as ¿Conservas de Água da Rua da Prata¿ por serem utilizadas pela população como cisterna. As suas características construtivas, tipologia e materiais associados remetem-nos para uma construção datada entre o séc. I a.C. e o séc. I d.C., contemporânea de outros edifícios públicos da cidade romana de Olisipo. Abertas ao público com regularidade a partir da década de 80 do séc. XX, são visitáveis, hoje em dia, apenas uma vez por ano, devido à acumulação de água no interior das galerias. A bombagem dessa água com maior frequência, para além de constituir um processo moroso, poderia colocar em risco a conservação do edifício assente sobre esta estrutura romana, assim como a daqueles que lhes estão anexos. O acesso ao interior é feito através de um alçapão localizado na Rua da Conceição. Este monumento integra a classificação do Conjunto Baixa Pombalina (Imóvel de Interesse Público) e, mais recentemente, do Conjunto Lisboa Pombalina (Em Vias de Classificação para Monumento Nacional).